quinta-feira, 27 de setembro de 2012

PARA APRENDER A LER E ESCREVER SEM PULAR ETAPAS

POR MARCELO CUNHA BUENO
Vamos escrever uma história. Era uma vez uma criança. Ela começou, logo no primeiro ano de vida, a entender que consegue modificar o meio para ter o que deseja. Chora, emite sons, e as pessoas que estão a sua volta reagem a favor de seu crescimento. Ela começa a se interessar por isso e pratica diferentes variações de sons, de gestos. Comunicação em ação! Início de um sentimento de mundo. Eis que, no meio de todo esse turbilhão, ela experimenta os primeiros passos. Mais um turbilhão. Caminha de um lado a outro, seu repertório se multiplica, suas pernas a levam a tocar, ver de perto, sentir, tudo aquilo o que os seus olhos conseguem e querem ver!

Um pouco mais adiante, de tanto fazer traços, formas, linhas e pontos nos papéis, paredes e afins, percebe que consegue narrar, contar histórias, vivê-las e representar emoções, sentimentos, fantasias por meio de desenhos! Seus traços dão ação para a sua emoção. Fica assim uns anos, fica assim um tempo. Tempo suficiente para fazer com que se sinta segura para continuar caminhando, para continuar crescendo.

De repente, descobre, com a ajuda de seus adultos, que isso não é suficiente, ainda, para estar no mundo, para fazer parte dele. É preciso se tornar alfabética, alfabetizada, letrada. Ler, escrever e interpretar.

Letras, palavras, frases, pontos, linhas, textos, histórias. Tudo o que conquistou até aquele instante, que teve tempo para sentir e caminhar em seu tempo, aquele tempo das permanências, dos sentidos, que faz com que as coisas durem uma vida, agora, em meses, ainda é insuficiente para ela estar nos contextos sociais.

E é com esse pensamento que eu me relaciono sempre que vejo uma criança se alfabetizar.

Vamos lá: TODAS as crianças que estiverem em uma escola comprometida em alfabetizar serão alfabetizadas. Não é verdade que aquelas que aprendem a ler e a escrever mais cedo escreverão melhor quando adultas. Também não é verdade que quem escreve antes de entrar no Fundamental será um estudante bom de pesquisa, de escrita e interpretação de textos.

Escrever e ler são possibilidades de se relacionar com o mundo. Mas brincar, desenhar, jogar, fazer sons, inventar coisas, calcular, pesquisar, conversar e silenciar também são! E são tão importantes quanto! Há quem diz que não. Bem, no mundo dos adultos, ler e escrever parece que sempre foi o carro-chefe das coisas. Mas, no contexto infantil, um contexto em que as linguagens e as representações de mundo ainda estão se estruturando, tudo tem valor! Todas as formas de comunicação são fundamentais para o crescimento das crianças.

E é por isso que ler e escrever precisa de tempo. Ninguém ficou com os seus filhos e filhas forçando-os a andar e a correr enquanto ainda engatinhavam, ninguém forçou as crianças a falar palavras enquanto ainda davam seus gritinhos e grunhidos, não é? E por que forçar com a leitura e com a escrita?

A alfabetização não se restringe apenas à decodificação do alfabeto. Não é somente juntar umas letras aqui, outras acolá. Ler e escrever vai além. Ler e escrever é expressar o que se pensa, o que se sente, é saber que essa comunicação precisa de alguém que fale, alguém que escute... Para que, por que, para quem se escreve?

Com três e quatro anos, por mais que as crianças estejam escrevendo as letras, geralmente, são as dos nomes delas, ou as dos nomes de seus familiares mais próximos, ou as de seus amigos. Mas ainda têm um caminho para percorrer. Um caminho que deve ser planejado pela escola. Um caminho que pede tempo. Um tempo mais alargado, sem pressa, sem pressão... Um caminho que equilibra perfeitamente brincadeiras, jogos, danças, pinturas e desenhos com letras e números. Ninguém escreve mais e melhor porque a escola puxou a alfabetização para três anos de idade. Pelo contrário. Há tempo para tudo.

Teoricamente, as crianças são alfabetizadas até os seis anos de idade. Sabe, nessa época, entre cinco e seis anos, gosto de conversar com as famílias para explicar sobre esse caminho pelas letras. Possíveis intervenções, tirar aqueles medos do que “pode” e “não pode” ser feito, conversar sobre ideias de “acertos” e “erros”. Tudo isso é importante para não confundir as coisas nesse momento tão importante para a criança.

Algumas dicas para todas as idades, inclusive para pais e mães: a boa e velha leitura antes de dormir. Você pode alternar a ordem da leitura com seu filho ou filha. Procure compartilhar escritas com as crianças... coisas simples: listas de compras, coisas da rotina, preferências musicais e literárias... Pense que elas começam a escrever com letras de forma maiúsculas, depois passam a ler livros com letras de imprensa, até chegarem à letra cursiva. Leia a lista de supermercado e outras listas. Imprima músicas, histórias e contos de que ela goste e leiam juntos.

Tenho certeza de que são pensamentos simples e comprometidos com o tempo das crianças que farão as suas histórias serem escritas com grandes e bonitas letras!

TEXTO PUBLICADO NA REVISTA CRESCER - SETEMBRO DE 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

BLOG DO MUNDO DO SÍTIO

TEXTO DA SEMANA: PARA MUDAR A NOSSA CIDADE

 
As eleições para prefeito e vereadores está chegando! Vocês devem estar por dentro das eleições de suas cidades, não estão?

E vocês sabem o que cada candidato pretende fazer para melhorar a vida de cada morador da sua cidade? Conhecem a sua proposta de governo? Sabem se o candidato é coerente com o que fala?

A cada eleição, eu fico mais e mais impressionado com as coisas que os políticos falam! Fico impressionado com a forma que se tratam, fazendo acusações, comparações. Fazer política, propor mudanças, deveria ser algo que agregasse as pessoas! Algo que unisse todos para um bem comum! Sim, é impossível agradar a todos! Sabemos disso! Mas deveríamos tentar ao máximo unir as pessoas! Fazer um mundo mais generoso e afetivo!

Cada um sabe o que seria bom termos de transformações em nossas cidades. Eu, por exemplo, que moro em São Paulo, queria ver uma cidade mais organizada: queria um transporte público com mais qualidade, queria mais verde, queria mais espaços para bicicleta, queria que as pessoas tivessem oportunidades de emprego e cultura, que as crianças e os jovens tivessem a experiência de estudar em uma boa escola, que conseguíssemos transitar pela cidade sem esbarrarmos em buracos, construções irregulares... e, com isso, lógico, a minha cidade seria menos violenta, menos caótica, mais acolhedora. Assim por diante!

Os políticos, eleitos pelo nosso voto, ganhando o dinheiro da nossa contribuição de impostos, deveriam deixar de usar esse espaço da prefeitura para se promoverem, como um trampolim para outros cargos. Deveriam, ao invés, fundar partidos e honrar esses desejos do povo, que deposita neles o sonho de mudança!

Procurem saber sobre as propostas dos candidatos de suas cidades, vejam se atendem às demandas das pessoas que conhecem, e lembrem-se de cobrar do futuro prefeito as promessas que fez para se eleger! Vocês, crianças e jovens, serão determinantes para morarmos em uma cidade, estado e país melhor!

Um abraço e até o dia 19 de setembro,

Marcelo

domingo, 9 de setembro de 2012

BLOG DO MUNDO DO SÍTIO

TEXTO DA SEMANA: VAMOS RECICLAR?
 
Fico muito impressionado ao ver como as crianças e os jovens estão, cada vez mais, conscientizando-se da importância de cuidarmos do nosso planeta! Já escrevi aqui sobre isso, mas hoje quero conversar sobre A Reciclagem do nosso lixo doméstico, ou seja, o lixo que produzimos em casa!

Quase todas as coisas que consumimos, não sei se repararam, vêm embaladas em plásticos, latas, vidros, papéis. Pode ser uma bolacha de água e sal, pode ser um suco, pode ser um sorvete...

E o que fazemos com essas embalagens? Imaginem um lugar gigante, mais ou menos do tamanho de um campo de futebol! Tanto em largura como em profundidade! Imaginem esse lugar cheio de lixo! Restos de alimentos, de vidros, metais, plásticos, papéis, móveis de casa, coisas que nem imaginamos. Todo esse lixo rodeado por animais que se alimentam desses materiais: ratos, urubus, baratas. É essa a solução que as cidade haviam encontrado para dar um fim ao lixo que consumimos. Deixava-se lá, cobria-se e “caso encerrado”. Todo aquele material se decompondo vagarosamente, soltando líquidos e fumaça tóxica, altamente prejudicial à saúde do planeta. Contaminava-se o ar, os mananciais. Um horror.

Bem, mas podemos contribuir para que esse cenário seja cada vez menos recorrente. E sabem como?

Todo mundo fala em reciclar. Na minha casa, por exemplo, separamos o lixo. Um lugar para depositar o lixo orgânico, restos de comida, e outro lugar para depositar o que pode ser reciclado: metais, vidros, plásticos e papéis. Lavamos cada um dos materiais (o que é muito importante) e deixamos em um latão comum do nosso prédio. Você pode pedir ao síndico do seu condomínio para adotar essa atitude onde vive! Isso tem de virar um hábito.

Mas reciclar não basta! Temos de cobrar, de alguma forma, que os produtores das embalagens repensem nos materiais que utilizam na hora de guardar e condicionar os alimentos. Então, o esforço fica completo. Não adianta nós reciclarmos e a produção de plástico aumentar, por exemplo!

Então, mãos à obra para conscientizar as pessoas a reciclarem seus lixos domésticos. Pode ser no condomínio, no clube, na escola, em casa, no bairro!

Um abraço para vocês e até o dia 12 de setembro!

Marcelo