domingo, 10 de junho de 2012

É PAPEL DA ESCOLA FESTEJAR AS DATAS COMEMORATIVAS?

POR MARCELO CUNHA BUENO
Escola é o espaço do múltiplo. É o espaço das afirmações das singularidades para a constituição de um coletivo que faça diferença. E o que move esse grande projeto é o afeto e o respeito. Parece um lugar comum. Mas é justamente por isso que deve ser sempre lembrado.
A multiplicidade é a afirmação das intensas diferenças em nossa sociedade. Não é o plural, muito do mesmo, é o variado, o diverso, o inesperado. Para lidar com a multiplicidade, a simplicidade. A língua que todos falamos e ouvimos. Simplificar para acolher, para convidar e aceitar o outro. A singularidade constituída de suas histórias de vida. Família costurada na cidade, costurada a uma tradição, a religiões, que se costuram aos fatores econômicos, a um desejo específico. Assim somos. O coletivo é a geografia onde tudo isso se torna possível. O coletivo deve, ou deveria, ser o espaço da generosidade, do afeto. Eu me afeto pelo outro, pelo lugar, e lhe devolvo em afeto para nos transformarmos em algo nosso! Criado por nós.
Gostaria que essas questões que levantei fossem lidas como entradas para refletirmos sobre um tema que é tão debatido nas escolas e fora delas: é papel da escola valorizar as datas comemorativas?
Bem, para simplificarmos as coisas, com respeito e afeto, vamos colocar que existem dois tipos de datas presentes no calendário escolar: uma de ordem religiosa e outra de ordem, digamos, econômica.
         As religiosas, sabemos quais são. As econômicas (não sei se essa definição ainda me convence totalmente) são os famosos dias dos pais, mães, crianças...
Antes de tratar desse tema, quero, ainda, falar sobre o calendário do ano letivo e de como a escola se comunica com as famílias. Em relação ao calendário, insisto em dizer que escola que para a todo instante para celebrar datas, fazer presente para pai e mãe, desenhar coelho, ensaiar passinhos, não tem tempo para ensinar, não tem tempo para criar uma relação criativa e intensa entre professores, escola e crianças. Imagine o que é, todos os anos, ela se mobilizar para dar conta do mesmo calendário? Bem, quem decide por esse esquema paga esse preço.
E, ainda, escola que acha que para envolver pais e mães é só colocar as crianças para dançar e emocionar a família está enganada. Isso não é suficiente. E isso é como a escola se comunica. Faz-se entender. Diz quais são as prioridades. Família tem de ficar feliz em ver que seus filhos e suas filhas aprendem, socializam. Não se saem bem na foto da apresentação, vestidas de duendes.
Sabemos que essas datas de comemoração de dia dos pais, mães e crianças existem para aquecer uma economia, não é? Sim, eu adorava o dia das crianças, e só quando fiquei mais velho entendi esse papo de economia. Mas o que dizer para aqueles que têm outra configuração familiar? Sem o pai, sem a mãe, criado pelos avós, com duas mães, com dois pais? “Olha, ainda não criaram uma data para essa configuração familiar específica... esse ano você não leva presentinho”. Como seria dar conta de todos esses movimentos?
Mas o que de fato queremos é acalentar corações com afeto. E não precisamos dessas datas para isso!
O mesmo digo para as escolas que insistem em transformar a sua religião na religião dominante. Respeito às configurações diversas!
Ainda temos aquelas que decidem não comemorar nada. E sempre digo que é papel delas formarem as famílias dos porquês de suas decisões. Qual é o motivo – além de ser uma lei federal que diz que toda escola deve ser laica – da escola não celebrar a páscoa, o natal e datas afins? Não dá para ela se fechar e simplesmente dizer: aqui não comemoramos e ponto!
Escolha da escola, escolha da família.
Particularmente, acho muito importante fazermos memória com alguns temas. Comemorar a importância de estarmos juntos. Para mim, a escola pode encontrar outras formas de celebrar o coletivo, sem esperar que essas datas cheguem. As festas populares são interessantes e podem ser um bom motivo para estarmos todos juntos.
O hoje, o presente, é uma linda data para comemorarmos o afeto e o respeito pelas singularidades das famílias contemporâneas e suas escolhas! Celebremos o hoje!

 TEXTO PUBLICADO NA REVISTA CRESCER - JUNHO DE 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

BLOG DO MUNDO DO SÍTIO

 TEXTO DA SEMANA: AS PERGUNTAS PARA A TELEVISÃO!

Pensando no texto de hoje, resolvi conversar com duas meninas que gostam bastante de assistir televisão. Gostam e entendem muito da programação dos canais abertos e canais a cabo. Gosto de ouvi-las, pois sabem bem diferenciar a programação pensada para crianças, jovens e adultos.
Eu sempre digo para as crianças: há coisas na TV que não são para vocês. Para começar, tudo o que passa depois das 20h00. Novelas, programas de auditórios, telejornais, realitys. Não dá! E não dá para ser mais ou menos com isso, gente! Sabe, quando somos crianças, não temos todos os instrumentos e recursos para entender o que é exposto na televisão. Não temos como assimilar de maneira crítica a programação que é pensada para adultos. E, veja, para alguns adultos. Porque há muita coisa de adulto que eu não gosto, por exemplo.
Para se entender as coisas da televisão, é preciso tempo e muita formação, é preciso ter vivido um tanto da vida que nos permite diferenciar o que é adequado e bom do que é inadequado e ruim.
Quando assistimos programas bons e adequados na televisão, podemos transformá-la em um forte motivo para compartilharmos assuntos e conversas com a nossa família. Gosto de conversar sobre o que vejo na televisão – seriados, desenhos, bons programas – com os meus amigos e com a minha família.
Então, para refletirmos sobre a programação infanto-juvenil na televisão, as minhas amigas, as duas meninas de 10 anos, sugeriram que façamos algumas perguntas para nós mesmos:
Por que todo adulto que fala com crianças na televisão tem de ficar com aquela vozinha fininha?
Por que não existe algum programa que incentive as crianças a escutarem música ou lerem antes de dormir?
Por que os adultos insistem em ver seus programas de adultos na frente de crianças?
Por que há tantos anúncios nos desenhos infantis?
Por que não fazem mais documentários interessantes para crianças e jovens?
Essas meninas costumam dormir cedo. Quando não conseguem pegar no sono, escutam uma música baixinho, leem um livro ou ficam pensando na vida. Gosto dessa rotina e acho que elas já conseguiram entender que o mundo dos adultos ainda é um universo que não faz parte do universo delas, crianças.
Vocês são capazes de responder às perguntas delas?
Um beijo e até o dia 20 de junho,
Marcelo