quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

BLOG DO MUNDO DO SÍTIO

TEXTO DA SEMANA: AH! AS FÉRIAS!

Que delícia, não é?

Nunca me esqueço de quando entrava de férias da escola. Daquela primeira manhã de férias! Não ter de ir à escola, fazer lição, estudar para as provas! Mas eu demorava para me acostumar! Muitas vezes, até sonhava que estava na aula... acordava e via que tinha o dia inteirinho para brincar!

As férias são como um horário de intervalo, o recreio do ano! É nesse tempo que os nossos saberes aprendidos se acomodam, são digeridos e transformados em conhecimentos! Interromper é importante para aprender! É aquele respiro que nos dá fôlego, força e até vontade de começar tudo de novo!

Ficar de pernas para o ar é bom! Brincar sozinho, com amigos, no prédio, na rua, no campo ou no mar! Mas ler também é bom! Escolha um bom livro, desses que podem te inspirar! Inclusive para brincar de ser os personagens dos livros! Vá ao cinema assistir a bons filmes. Escute música. Cante muito!
Corra pela areia da praia, sinta as ondas batendo no corpo. Mergulhe bastante na água! Durma tarde, durma cedo, acorde, brinque de novo! Conheça a sua cidade! Ruas, avenidas, parques, museus, desenhos em parede estão por todos os lados! Fotografe! Compartilhe suas imagens. Escreva uma poesia! Leia poesias! Tome sorvete,
coma batata frita e uma saladinha para compensar! Preste atenção no barulho da chuva, do vento nas árvores, no pássaro que sempre esteve em sua janela, mas você não tinha tempo de admirá-lo!

Converse muito! Fale sobre seus sonhos! Cultive-os! Esses sonhos que se sonham acordados, sabe? Regue suas plantinhas, plante outras! Ande de bicicleta, faça uma pipa, jogue bolinha de gude. Convide sua família para brincar com você. Pode ser um jogo, uma aventura, ver televisão de mãos dadas, qualquer coisa que fique melhor quando alguém querido por perto!

Curta muito, cada instante! E nos conte como tem aproveitado suas férias! Mande-nos dicas de passeios, brincadeiras, jogos! Não se esqueça de nos visitar no Mundo do Sítio! É um bom lugar para passar as suas férias também!

Até o dia 4 de janeiro! Boas festas para cada um de vocês!

Marcelo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

BLOG DO MUNDO DO SÍTIO

TEXTO DA SEMANA: E SE EU "REPETIR" DE ANO?

http://mundodositio.globo.com/blog/2011/12/07/e-se-eu-%e2%80%9crepetir%e2%80%9d-de-ano/

Não dá para não pensar nisso quando chega essa época do ano, não é?
A gente fica ansioso, pensando se vai passar de ano, se as notas serão boas e suficientes para sermos aprovados.
Hoje quero escrever para aqueles que terão de refazer o ano e para os amigos de quem terá de refazê-lo.
Gosto de pensar que “repetir de ano” (e coloco entre aspas, pois nenhum ano é igual ao outro, seria impossível repetir o ano, não é?) é a oportunidade que temos para aprender o que não conseguimos entender, rever o que ainda não foi completamente compreendido. É como se esticássemos o tempo para não termos sempre de correr atrás das coisas, sentindo-nos pressionados a tirar notas boas, mesmo sem entender a matéria.
É a chance de transformarmos, mais vagarosamente, as informações aprendidas na escola em conhecimento!
Sei que é muito desagradável ter de ver os amigos e amigas seguirem para outro ano e ficarmos em outra sala, com pessoas mais novas e desconhecidas. Mas temos de ver o lado positivo disso, não é? Então, é também a chance de fazermos novas amizades e de conhecermos outras pessoas. Já pensaram nisso?
Mas sei que vai bater uma tristeza, por mais que eu ou outra pessoa digam essas coisas. Bom mesmo é escutar dos amigos que tudo vai dar certo! Portanto, amigos e amigas de plantão, se algum amigo ou amiga estiver, nesse momento, “repetindo de ano”, conversem, encorajem, digam coisas bacanas, que nos façam ter as coisas mais claras e positivas!
Mas, olha, para ser uma boa experiência, temos de nos concentrar e fazer tudo diferente! Estudar, perguntar, fazer os deveres, prestar muita atenção nas aulas. Porque, senão, vocês vão repetir de ano sem aspas! Farão todos os anos virarem a mesma coisa!
Queria agradecê-los pelos comentários do texto anterior! Vi que gente bem estudiosa e que já entendeu direitinho os macetes para se dar bem nas provas, não é? Gostei também da escrita de vocês! A ortografia, a pontuação e a gramática estão boas! Prestem bastante atenção na hora de se comunicarem na internet, tá?
Bem, até o dia 21!
Marcelo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

BLOG DO MUNDO DO SÍTIO

TEXTO DA SEMANA: AS DITAS PROVAS
http://mundodositio.globo.com/blog/2011/11/23/as-ditas-provas/

Só de falar essa palavra, já sinto um frio na barriga! Eu nunca gostei de fazer prova! Ficava nervoso, tenso... e mais nervoso ainda quando recebia as notas. Mas aprendi algumas coisas com o tempo...

Bom, estudar para prova é o grande segredo de não ter medo dela! Sim, estudar mesmo! O estudo começa na sala de aula. Durante a aula, enquanto o professor fala. Procure prestar atenção e participar das discussões. A nossa “cabeça” entende melhor o conteúdo quando falamos sobre ele e o questionamos. Em casa, procure estudar um pouco por dia! Na lição de casa, nos trabalhos para a escola. Leia, faça perguntas, compartilhe os conteúdos com quem estiver ao seu lado! Isso é fundamental para sermos donos do que sabemos! Antes da prova, entenda que você não estuda para provar nada para ninguém! Estuda para aprender, estuda porque é importante saber das coisas! Acalme-se! Organize-se para não se perder no tempo e no espaço. Reserve um tempo do dia e um lugar da sua casa para estudar. Reler o que foi escrito, o que está nos livros e o que você considera importante saber.

Se você estudar um pouco por dia, não terá problemas com a prova! Eu garanto!

Saiba que tudo isso passa! E que esses difíceis aprendizados servem para nos fortalecer nessa vida! Servem para aprendermos a nos organizar e encontrarmos o que realmente faz sentido em nossas vidas! Pena que eu entendi isso bem mais tarde! Se alguém tivesse dito isso antes, eu não teria tantas dores de barriga!

E você? Como se organiza para esse momento? Fica nervoso? Escreva algumas dicas para nós! Vamos compartilhar as nossas ideias! Ah! Lembre-se de escrever corretamente! Cuidado com acentos, ortografia e pontuações! Até o dia 7 de dezembro!

Marcelo

BLOG DO MUNDO DO SÍTIO

TEXTO DA SEMANA: A DICA DO MARCELO





http://mundodositio.globo.com/blog/2011/11/09/dica-do-marcelo/

Olá, gente!

Queria me apresentar! Eu sou o Marcelo. Sou professor. Na verdade, quase nasci dentro de uma escola. Minha mãe também era professora! Costumo brincar dizendo que nunca saí de dentro de uma escola, desde que tinha um ano de idade! Isso é que é gostar de escola, não é mesmo? Hoje, eu tenho uma escola em São Paulo. Sou diretor dela.

Mas o que eu estou fazendo aqui no Mundo do Sítio? Estou há algum tempo por aqui. Trabalho com o pessoal que pensa, com tanto carinho, em todos os detalhes desse lugar fantástico. Estive envolvido no planejamento de alguns jogos.

Queria fazer um convite a cada um de vocês! Pensei em criar um espaço, aqui no blogue mesmo, de discussões e conversas sobre alguns temas que imagino serem constantes e recorrentes na vida de vocês. A proposta é escrever alguns textos que tratem desses assuntos e promovermos um espaço bem legal e democrático de ideias!

Pensamos em temas que lhes ajudem a se organizar com deveres de casa, trabalhos de escola, estudos para provas, temas que envolvam passar ou repetir de ano, que lhes ajudem a resolver, de forma generosa, alguns conflitos da vida, que abordem conversas sobre amizade, sobre dicas de exposições, filmes, músicas, livros e brincadeiras, como escrever corretamente (e isso é fundamental, já que nos comunicamos virtualmente dessa forma, não é?), além de coisas bacanas para fazermos durante as férias... que estão chegando!

Quero pedir que me mandem dicas interessantes de temas! Escreverei sobre elas, sempre que possível! E que convidem os pais, mães, avós, avôs, primos, quem quiserem, para frequentar esse espaço.

Estarei por aqui a cada quinze dias!

Espero vocês! Um grande abraço,

Marcelo

domingo, 4 de dezembro de 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA "DEU PAULA NA TV", DA REDE CULTURA.

EPISÓDIO: ESCOLA - AMOR E ÓDIO


EPISÓDIO: PRA QUE SERVE A ESCOLA

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

ENTREVISTA PARA O SITE "MAMATRACA"


A escolha da escola é um dos dilemas mais difíceis para os pais. É assunto que tira o sono porque traz uma imensa carga de responsabilidade sobre o que essa decisão impactará no futuro dos nossos filhos. Hoje o Mamatraca traz uma entrevista com o educador Marcelo Cunha Bueno, um dos consultores mais acessados pela mídia na área de educação infantil. Diretor da Escola Estilo de Aprender e coordenador pedagógico da Teia de Saberes – Centro de estudos em educação, ele desenvolve e ministra grupos de estudos e cursos de extensão sobre temas educacionais e filosóficos. É consultor pedagógico de vários projetos infantis para empresas, colunista da Revista Crescer e outros sites de educação. Nessa entrevista imperdível, ele tira um pouco desse peso dos ombros dos pais e garante: o fundamental é aproveitar o hoje. Confira:

Quais são os principais critérios a serem levados em consideração na hora de escolher a escola dos nossos filhos? Esta é uma escolha puramente racional?

Essa é uma escolha muito emocional. A racionalidade é importante para organizarmos as ideias antes de conhecermos as escolas. É fundamental fazer perguntas sobre o currículo da escola, sobre a formação dos professores, rotina das crianças, uso dos espaços, parcerias com as famílias. É absolutamente imprescindível que as famílias visitem a escola, conversem com a coordenação, direção. Vejam a coisa funcionando, viva! Nada melhor do que olhar nos olhos das crianças, dos professores, sentir o clima do lugar. Isso é emocional.
Para mim, o mais importante em uma escola é a sua preocupação com a formação docente. Formação dentro dos espaços escolares. Outra coisa importante é a superação daquele senso comum pedagógico que só serve para afastar as famílias da educação de seus filhos. Cada vez que a escola brada as suas linhas pedagógicas, brada os seus apostilados, ela, de certa maneira, diz: esse é a minha especialidade, não se meta!
Não deveria ser assim. Educação se faz junto. Em parceria. É lógico que educar, ensinar conteúdos, quem faz é a escola. Não se trata disso! Trata-se de unir forças, percepções para uma educação melhor.
Parceria, formação e espaço são bons critérios de escolha.

O que temos observado é que as escolas têm sido cada vez mais criteriosas nas seleções dos alunos. Está havendo uma inversão de valores? Afinal, quem escolhe quem: os pais escolhem a escola ou são escolhidos?

Pois é, este é um tema bem delicado. O que acontece é que as escolas, para manterem as suas notas e classificações naquele ranqueamento de "melhores escolas do Brasil", acabam fazendo uma espécie de normatização, de homogeneização de seus alunos. Escolhem aqueles que aparentam ser os melhores, que não diminuirão as suas notas. Tentam "nivelar" o seu público. O que é o inverso daquilo que é uma das funções da escola: educar na diversidade. O que fazem é pegar as notas do Ensino Médio e tentar garantir que os seus alunos se aproximem o quanto antes delas.
Uma pena! Pois se educa para um fim. Para um teste, para algo que favorece apenas as escolas.
Esse caminho é uma vergonha! Um verdadeiro processo de exclusão, de recorte social, cultural. Presencio isso todos os anos. Vejo os estudantes de muitas escolas tendo de fazer avaliações, entrevistas e mais entrevistas. Só falta pedirem exames de sangue, DNA!
Meu conselho? Afastem-se delas e divulguem todos os processos de "seleção" que as mesmas fazem!

O que mais apavora os pais nessa fase de escolha da escola é a carga de que a sua decisão vai impactar o sucesso do seu filho no futuro. Até que ponto a escola determina o sucesso, as escolhas e, principalmente a felicidade de alguém?

Aproveitar o hoje, o presente! O crescer só é transformador se for vivido em sua máxima potência, no aqui e no agora. Educação é assim: o hoje importa. Um hoje pensado, estruturado para afirmarmos todas as multiciplidades relacionais. Relação entre conteúdos, entre pessoas, entre conceitos, entre culturas, entre diferentes representações do mundo. Quando se educa somente para o futuro, deixamos de ver o que nos passa a cada instante. Deixamos de pensar a vida nesses momentos que nos enchem de experiências. Não adianta fazer um Infantil pensando no Fundamental I. Cada um tem de ter a sua característica, sua estrutura de relação.
Muitas vezes, as famílias chegam à minha escola e demonstram preocupação com a continuidade. Com o vestibular. Matam a vida, a força do presente pensando no futuro. Sei como é isso. Penso nisso como pai. Mas afirmo que as coisas não são assim na prática escolar. Vejo que as histórias mais bem resolvidas foram as mais cuidadas. As que mais respeitaram o presente. Gosto de dizer a elas que é bom aproveitarmos esses filhos e filhas enquanto cabem num balanço, num cavalinho de pau!
A ideia de sucesso e felicidade precisa ser amplamente discutida nos tempos de hoje. Escola não garante isso. Nem uma boa faculdade.
Carinho, atenção, respeito, acompanhamento, afeto pela criança, pelo jovem é o fundamental. Aliás, diria como educador: sem isso, você pode escolher a sua melhor escola... não vai dar certo.
Para mim, participação de pai e mãe que vale para a vida é darem um tempo de amor intenso, de "qualidade" relacional aos seus filhos e filhas. É disso que eles precisam. De amor e carinho. De afeto e atenção.

Preocupada em garantir a vaga para o ensino fundamental nas escolas mais disputadas, a família nem sempre prioriza o que deveria priorizar no ensino infantil, que é o brincar. Esse exagero nas cobranças em relação ao futuro do filho pode ser prejudicial lá na frente?

Sempre que você pula uma etapa, deixa de viver uma experiência importante. E que não volta mais! As escolas cobram pré-requisitos absurdos para crianças de seis anos de idade. Por conta de sua paranoia de garantir bons resultados lá adiante. Por isso eu repito: é importante olhar para o filho, para a filha, e pensar: o que é próprio de uma criança de sua idade? O que o meu filho, a minha filha, pode? Vale sacrificar esse momento em busca de algo que seria vivido somente lá na frente? Não adianta alfabetizar aos 3 anos de idade, fazer adição aos 2, falar sobre as catástrofes humanas aos 4 e achar que estamos formando um sujeito sabidão! Educação é feita com paciência.
Aproveitar o momento. O aqui e o agora. Isso é educar para um mundo mais generoso. Como seríamos mais afetivos se respeitássemos o momento dos outros!

Muitos pais hoje em dia delegam à escola parte do que seria função da família, como a transmissão de valores e limites. Até onde vai o papel da escola e da família e como elas podem trabalhar em conjunto visando o melhor para as crianças?
Eu considero que a escola aceitou, em determinado momento, essa função e que agora é uma de nossas obrigações. No fim das contas, a escola aprendeu que não se pode separar as coisas. O que é do campo acadêmico daquilo que, teoricamente, é do campo familiar. Um estudante sem disciplina, sem organização, sem compreensão de grupo, não consegue estudar direito. A escola precisa ser firme e clara quando o tema é disciplina. Clareza é o que falta às escolas. As coisas sempre ficam subentendidas, com medo de se colocar limites, de dizer até onde ela, a criança, o jovem podem ir. Eles se sentem aliviados quando colocamos essas fronteiras. Essas linhas que delimitam espaços de vontades. Mas a escola precisa deixar isso claro para as famílias também. Precisa envolvê-las no tema, assim como as envolvem com o tema dos conteúdos. Caminhar juntos, em parceria, é caminhar com a clareza de que se tenta fazer o melhor.
O fundamental, na parceria (e voltamos à pergunta inicial), é a escola ser boa de escutar. A conversa é o melhor caminho para o entendimento. As famílias, quando estão à procura de uma escola, deveriam sentir se a escola se abre para as angústias, para as aflições do educar de pais e mães. Sem conversa, não existe educação possível!

A entrevista está disponível no: http://www.mamatraca.com.br/?id=49&

sábado, 15 de outubro de 2011

INTIMIDADE, FRONTEIRAS E VIZINHANÇA

POR MARCELO CUNHA BUENO

Há muito, me ocorreu que poderíamos começar a circular mais esses conceitos (nem sei se posso chamar assim) dentro dos espaços escolares.
Escola é espaço de relações. Educação é relação. Relação entre pessoas, entre conceitos, entre culturas, espaços, disposições afetivas.
São as relações as responsáveis por modificar corpos e espaços. Corpo no espaço, espaço do corpo: geografia.
Corpos dentro de um espaço escolar. Corpos que buscam se misturar, diferenciar, experimentar, bailar a ciranda das singularidades. Na medida em que me aproximo do outro, crio um espaço repleto de intenções. Um espaço desejante, que convida o outro a desenhar a arquitetura de uma coletividade. Convite aceito. Corpos dispostos a estarem juntos, cada um a seu modo... Nasce nosso primeiro conceito: o de vizinhança.
Comunhão de desejos, de vontades e saberes tensionados para a transformação de disposições individuais. Afirmação de singularidades, generosidade em compartilhar o mesmo sob diferentes perspectivas: vizinhança. Entendimento e reconhecimento de diferentes geografias, atenção às diferentes forças que tencionam a mesma corda, criando um espaço de força entre pessoas.
Transborda dessa relação de vizinhança, de coletividade, uma relação sobre outra relação, a intimidade. Algo profundamente singular, que aparece quando há um outro; entre o desejo de ser e a vontade de estar no mundo. Impresso, atravessado nas pessoas e coisas.
É na intimidade que moram as nossas percepções, as nossas ideias e representações sobre o espaço que habitamos. A intimidade, nesse caso, não é algo que nos pertence. Não é algo da ordem da individualidade, dos segredos do eu. É algo que está diretamente ligado à presença de um outro em nossas vidas. Intimidade é sempre múltipla. É pronome plural.
Só há intimidade quando se entende as fronteiras. Linhas imaginárias entre os corpos, as ideias, os conceitos. Linhas que contornam, não separam. Linhas que se dispõem em tramas, não desenham territórios. Linhas que costuram vontades, afetos, conceitos, criações.
Fronteiras é diferente de limites. Na escola, limites funcionam como dispositivos que definem espaços e criam uma sensação de patrulhamento das condutas individuais. É uma ética que afasta pessoas de forma pouco generosa. O meu limite é o outro. No outro, eu cesso as minhas vontades. Acabo no outro.
Com as fronteiras, é justamente o contrário. Meu limite é justamente o espaço entre mim e um outro. O outro é a potência daquilo que desejo, aprendo, quero. O outro é a minha condição de ser vivente. O outro é a afirmação de que eu estou a viver.
Sempre há espaços para se negociar, para nos transformarmos com palavras e sentimentos dos outros. Nas fronteiras, vive-se mais intensamente territórios individuais. Vive-se de forma mais justa, mais clara, sem melindres.
Aprende-se nas fronteiras. Aprende-se que crescemos justamente nesse espaço entre. Esse espaço que há entre diferentes forças. Esse espaço entre mim e o mundo. Todo o mundo.
Vizinhança, intimidade e fronteiras. Entre cada uma delas, uma imensidão de conceitos. Uma vastidão de forças que, aqui nesse texto, nessas palavras, querem compor novas formas de produzirmos entendimentos e desentendimentos na escola.
Circulemos!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A ESCOLHA DA ESCOL-H-A

POR MARCELO CUNHA BUENO
É você que a escolhe ou ela é que te escolhe?
Sim, porque tenho a impressão de que as escolas, com suas limitações de vagas, imposições documentais, sua obsessão pelo estudante da normalidade, pelo desejo da família participativa e de linhagem confiável... é que acaba escolhendo quem pode e quem não pode usá-la. Tipo clube.
Essas burocracias são determinantes para peneirar quem poderá fazer parte desse seleto clube privado. Sim, porque as escolas usam as linhas pedagógicas e seus nomes estupendos, usam sua classificação em rankings e seus resultados indiscutíveis, usam das linguagens expressivas nacionais e estrangeiras... Tudo para vender ideias.
Sim, todos nós fazemos isso. Sem cerimônia, muitas vezes.
Mas... é sempre bom lembrar que educação é relação. Se você tirar todas as amarras que “a” educação de qualidade nos impõe, que a nobreza docente nos veste, o que fica é a relação. A vontade de ser e estar no mundo. De se fazer presente. A intensidade da educação está na miudeza de afetos. Entre pessoas, entre conceitos, entre um pensamento e uma música, entre o sentido e o silêncio. E quem frequenta diariamente escola sabe do que eu falo.
Pode ser a escola conceituada, cara, sem vagas, com estudantes de sucesso, de professores moderninhos e ultradescolados... Todas podem viver lá onde nenhum discurso consegue chegar a relação mais incrível dessa vida: a educação pelo miúdo da vida.
Para escolher uma escola... a minha dica é... olhar para dentro de si e se despir do desejo pela normalidade, pela permanência, pelo sucesso.
Escolha é sempre a afirmação de uma identidade (ou deveria ser assim). E por isso a escola é um pouco e muito de cada um. Ela não se faz de fora para dentro, de lá para cá. É sempre daqui de dentro, de cá do peito para lá. Somos nós que a narramos, que a vivemos, que a sentimos. Nós somos os que dão vida à escola.
ESCOL-H-A...

Aqui vai a minha entrevista ao Programa Mulheres... justamente com esse tema! A entrevista está separada em duas partes.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

OS PASSOS DE UMA CRIANÇA

POR MARCELO CUNHA BUENO
“Caminhante não tem caminho, faz o caminho ao caminhar”. Mais ou menos assim a frase de Antonio Machado.
Bonita a frase, não? Já pararam para pensar sobre ela? Pois bem... é uma afirmação daquilo que nos acontece no presente! No momento em que se vive, em que se atravessa a vida! É uma ode ao Carpe diem... Aproveite o dia. Não importa para aonde estás indo, o que vale é caminhar. Caminhar é se encontrar vivente! É firmar os pés no chão.
Já pensaram nas coisas que mudam na vida de uma criança quando começa a andar? Gente, eu vejo sempre as crianças recém-andadas pela escola. Vejo como se encantam com a nova dimensão do olhar. Sim, caminhar ereto significa ver o mundo de outro ângulo. Mas não falo somente do caminhar com as duas pernas. Falo do conseguir escolher o lugar e se encontrar com ele. Falo da capacidade de planejar, antecipar, refazer caminhos. Não importa se engatinhas, se escorregas, se desliza, se vai em rodas... o ir para o lugar do desejo é uma afirmação da vida, do sujeito que conduz a vida.
A conquista dos primeiros passos, esse sabor, pode ser comparada, mais para frente, com a aquisição da escrita. Abre-se um mundo novo para a criança... que se torna, com esses primeiros passos, uma andarilha. Uma andarilha que se joga ao desconhecido, que se encanta com cada trecho percorrido, que se abre ao novo e aos desafios. A criança andarilha é uma peregrina da vida, das possibilidades de se viver a vida, de se atravessar a infância! Cada passo é como se fosse uma língua nova que se cria. A cada passo, uma nova palavra inventada, uma conversa com o mundo, um texto da própria vida!
O adulto se encanta com os primeiros passos da criança, porque se vê neles... porque nasce uma esperança de renovar os seus olhares, de redescobrir o mundo nos olhos delas!
Ser professor é refazer o caminho, sem parada, sem chegada, simplesmente vivendo, a cada dia, a novidade, o inédito no viver de uma criança!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

AS COISAS QUE O AFETO ENSINA

POR MARCELO CUNHA BUENO

É muito melhor aprender e ensinar quando existe afeto envolvido. Afeto não é apenas beijinhos, palavras melosas. Afeto é afetar. É o compromisso de transformar o outro. O coletivo. É desafiar, abrir caminhos. É dar as mãos, é generosidade. Não se educa sem generosidade. A escolha por ser professor deve passar por essa reflexão. Serei capaz de me entregar com afeto à minha profissão? Serei capaz de afetar o outro de forma a transformar a sua vida? Somos marcados por mapas afetivos para sempre! Escuto muitas pessoas dizendo que escolheram as suas profissões por conta de um professor específico. Por quê? Pela forma como esse professor afetou você pelo conhecimento. O afeto está na preparação da aula. Nas escolhas do professor. Na voz, no toque, nos pequenos gestos. No silêncio, na forma como esse avalia. Aprendi que de nada vale estar em uma superescola, com um supermaterial, num superespaço, numa superlinha pedagógica se não há seres capazes de afetar e dispostos a serem afetados pelos outros! Afeto é o que fica. Esse afeto que percebe que o educar se faz nas miudezas. É ele que vai além de toda a tecnologia pedagógica atual.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A VIDA A ENGATINHAR

POR MARCELO CUNHA BUENO


Um corpo que se movimenta em busca do outro, do algo... que se movimenta como expressão de que está no mundo.
Engatinhar é um andar poético. Está entre os mundos da horizontalidade e da verticalidade. Entre esses dois mundos, o bebê pede um tempo para se levantar. Pede um tempo para tocar o mundo com as mãos. Para fazer delas a estrutura, o firme pisar, a mão na terra. Aliás, é com as mãos também que se apreende o mundo.
Elas te levam ao lugar desejado, apontam o objeto, experimentam-no, degustam-no. Alcançam os sonhos... são pás de sonhos.
Bebês engatinhando são engraçados. Não precisam muito olhar para frente... estão mais preocupados com os passos do presente. Olham a anatomia de cada movimento desenhando seu caminho no aqui e agora. Antes, o que era deitado, o que via os céus, que enxergava o norte, o oeste e o leste, ganhou mais um ponto cardeal... o sul. Engatinhar é dar perspectiva ao sul, ao que está embaixo, ao chão, ao concreto, à realidade.
Para engatinhar, é preciso coragem, equilíbrio. É preciso encontrar motivos no mundo, ter vontade de andar por ele, de começar a fazer histórias com as próprias mãos. Engatinhar é um movimento solitário. As mãos estão para dar equilíbrio daquele corpo. Ainda não estão disponíveis para convidar o outro a passearem de mãos dadas.
É um momento importante. É um tempo intenso de encontros com o viver. É um se levantar para o mundo. É generoso.
É devagar. É fundamental para elaborarmos o fato de estarmos no mundo.
A gestação é um engatinhar da vida que vai chegar. Mas esse... é melhor fazer de mãos dadas!

quinta-feira, 17 de março de 2011

AS INTENSAS RELAÇÕES NA INFÂNCIA

POR MARCELO CUNHA BUENO
Por que será tão difícil para o adulto perceber, logo no começo, as dificuldades de relacionamento e as agressões entre as crianças? O que nos deixa cegos frente a essas atitudes?
Quando conseguimos nomear como agressividade, como bullying essa forma violenta de se relacionar com outros, muitas vezes, já está configurada uma conduta de comportamento que comprometeu as relações e, invariavelmente, fez com que as crianças e jovens chegassem a um ponto insustentável.
Bom, o que podemos perceber é que a escola, por ser um ambiente coletivo, social, é um campo fértil e potente para que crianças e jovens escolham formas intensas de se colocarem, afirmarem ideias, conquistarem espaços, imporem seus desejos. O que acontece, justamente por ser intenso, é que essas formas podem ser, muitas vezes, desrespeitosas.
Minha hipótese sobre essa dificuldade de localizarmos as formas rudes de relacionamento é por conta das concepções de infância que temos. Muito por nossa ideia de que a infância é só um lugar para a descoberta, curiosidade, pureza, inocência. Palavras que são facilmente associadas à infância, mas apenas a uma infância idealizada. Jamais admitimos a possibilidade de existirem infâncias mais cruéis, mais distantes da ideia de bem, de bom.
Por isso, quando olhamos para as crianças que estão ali, no meio de suas relações sociais, as enxergamos por essa máscara estereotipada de infância.
A infância é um lugar de atravessamentos e de potências de vida. É uma geografia afirmativa das múltiplas possibilidades de ser e estar no mundo. Um mundo que é também de disputa, um mundo de negações, de negociações, um mundo de angústias, de incertezas. As crianças experimentam as relações, os espaços e os outros de forma quase antropofágica. Preciso tomar o outro para entendê-lo. Para me identificar. Nego o outro para me encontrar, diferenciar-me dele.
Por isso é comum vermos os pequenos manterem esse contato mais corporal uns com os outros. Por isso é que os vemos tomarem o corpo do outro para si e, literalmente, devorarem-no.
O adulto deveria se abrir a essas formas de relação. Deveria ajudar as crianças a atravessarem esses espaços e mostrar a elas formas mais generosas de sermos e estarmos no mundo. Deveria mostrar que é muito melhor estarmos em um meio agregador, afetuoso. Ao invés de, simplesmente, terem somente uma intervenção punitiva, autoritária, moralizante.
Certa vez, ainda quando era professor de crianças de quatro anos, tive de fazer uma intervenção com um menino. Fiquei bravo com ele, pois batia nos demais para conseguir o que queria. Situação normal e corriqueira em escola. Ele me olhou como se fosse me bater. Percebendo isso, disse-lhe que entendia o desejo de me bater. Era livre para sentir isso, mas que não deveria fazer, pois perderia a razão. Essa atitude o ajudou a entender que existe uma fronteira entre aquilo que desejamos e o que podemos realizar. Isso o confortou. Deu-lhe segurança para elaborar essa vontade de agredir o outro, livrando-se, teoricamente, de um problema, de uma situação difícil.
O adulto deve ser aquele que ajuda a criança a atravessar suas questões, a evidenciar as fronteiras e limites, a ajudar a costurar vontades individuais às vontades da coletividade.
Isso é afeto, importância, colo, educação. Então, estar ao lado da criança, entendendo os seus desejos mais sombrios e garantindo espaço para que eles sejam sentidos, mas não realizados, seria uma forma interessante de abandonarmos essa máscara da infância ideal que nos cega em relação às singularidades infantis.
Por outro lado, também importante, é deixarmos um espaço para que as crianças se coloquem diante do mundo. Muitas vezes, por conta do medo que essa palavra bullying carrega, acabamos privando crianças pequenas das riquezas de alguns pequenos e importantes conflitos. Tais conflitos são fundamentais para que as crianças comecem a criar meios de resolverem suas questões. Se o adulto estiver ao lado dessa criança, poderá pontuar as melhores formas de resolver os seus problemas, sem ela ter de partir para agressões. Aliás, anteciparmo-nos à emoção que leva à pele o desejo de agredir o outro é o grande desafio. Mostrar que se defender é importante, mas que há diferença entre se defender e revidar.
Excesso e falta de zelo são prejudiciais para qualquer indivíduo. O sentimento que abafa a singularidade e o sentimento que a abandona são desfavoráveis para a pessoa que quer estar e fazer parte desse mundo.
Pai, mãe, se há esses personagens na família, são os responsáveis principais na condução desse modo de se relacionar. Criança e jovem precisam sentir a presença. A qualidade da presença. Que vem do olhar, do gesto, do colo, de uma palavra. Não vem com presentes e outros subterfúgios. Gente gosta de gente. Acolhida! É por isso que estamos nesse mundo: sermos acolhidos e darmos acolhimento!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

VIVER A INFÂNCIA

POR MARCELO CUNHA BUENO
As crianças vivem a vida. Os adultos gostam de nomeá-la.
Aproximemo-nos dessa perspectiva para pensarmos o quanto nos mobilizamos quando estamos diante de uma criança. Depois de algum tempo convivendo todos os meus dias com as crianças, aprendi que o mais importante do viver cotidiano é a forma como nos relacionamos com o mundo. Uma relação sensível, que cria um espaço de atravessamentos de sensações, de sentimentos e de saberes. Um espaço tão aberto que, ao deixarmos o mundo entrar, saímos um pouco, desfazemo-nos, tornando-nos também um pouco do outro. Fora e dentro nos compõem! Assim fazem as crianças quando estão a se entregar a algo novo, diferente, ou ao mesmo de todo dia. Sempre há a possibilidade de acontecer o diferente. É como se a sensação de mudarmos as histórias fosse afirmada a cada instante. Criança pode se sentir mais sujeito. Quem nomeia a vida a todo instante, buscando significados antes de existir questões, não. Quem nomeia está assujeitado!
Vejo muitas relações dentro dos espaços escolares que tentam assujeitar as crianças, aprisionar os seus intentos de conhecer e transformar o mundo pelos sentidos. Não estou falando de transformações ideais, estou falando dos mundos internos, dos sentidos pessoais. Escolas que tentam classificar seus estudantes por meio de rankings, de apostilas, de testes, de nomenclaturas e diagnósticos que generalizam cada ação e pensamento da criança. Transformando uma infância “na infância”... uma criança “na criança”, em massa.
A criança tenta escapar. Brinca, faz segredos. Entendo essa escapada como infância. Uma infância que se afirma como um espaço distante desse afã nomeador, dessa vontade de nomear e controlar.
Nós, os adultos que nomeiam, deveríamos nos unir para multiplicar esses espaços de escape, de infância. Deveríamos possibilitar às crianças um espaço mais afirmativo de suas relações. É por meio delas que existe o aprender, o ensinar, o brincar, o escutar, o viver. Escola e família são espaços de atravessamentos de crianças e de infâncias.
Sinto-me renovado todos os dias quando me entrego aos afetos das crianças. Quando as escuto, quando sou escutado, quando converso, quando as vejo correr, brincar. Afetar-se com as crianças é estar aberto ao que elas têm para nos ensinar. Aprender com elas é o movimento que fazemos quando estamos atentos às coisas que as palavras marcadas não podem contar.
Celebrar uma infância, uma criança, é dar-se ao outro, à relação.
É estar também nesse espaço, onde o mais importante é viver com o outro. Para comemorar a infância, é preciso deixar de vê-la fora de nós. Ela está aqui dentro, basta viver.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

AS COISAS QUE AS CRIANÇAS NOS ENSINAM

Por Marcelo Cunha Bueno

As crianças nos ensinam muitas coisas, mais do que podemos imaginar!
A minha escolha por ser educador me leva a constantes pensamentos sobre o que se pode aprender com cada atitude, gesto, olhar de uma criança. Quando se está na escola, o maior esforço que um educador pode fazer é o de singularizar os seus olhares. Educar é se abrir a um espaço relacional que acontece nos contextos coletivos, mas que pressupõe uma disposição afetiva para as individualidades.
Uma das coisas que ando aprendendo com as crianças com que convivo é que elas provocam crescimento em seus pais e mães. Não é de hoje que atendo famílias que se perdem na hora de fazer uma intervenção com seus filhos e filhas, justamente porque não se encontram no momento em que eles estão. Veja, pais e mães têm de acompanhar o crescimento de seus filhos, de suas filhas. É comum vê-los tratar as crianças grandes como se ainda fossem pequeninas e as pequenas como se fossem grandes!
Ultimamente, o que mais escuto e o que me traz até esse texto é que as famílias jogam para o mundo o fato das crianças se desinteressarem pelo estudo, pelas letras, pelos números, pelos desenhos. Sempre quando escuto uma questão dessa, começo a pensar que nós, adultos, temos uma necessidade extrema pela estabilidade. Não conseguimos admitir que as coisas, principalmente quando estão ligadas aos afetos, são maleáveis, passíveis de mudanças, de transformação. É possível gostar de uma coisa hoje e, amanhã, não querer mais saber dela! Assim é a vida! Aliás, isso é o que deixa a vida bela, interessante!
Inconformados com o “desinteresse” da criança frente a determinadas questões (e nunca se levam em conta as coisas, as várias coisas pelas quais a criança se interessa), pais e mães procuram na escola os motivos da mudança. Alimentam esse espaço com culpas, acusações e uma pressão, que acabam por enraizar algumas relações que não estavam ali antes.
As crianças nos mostram que devemos ajudá-las a atravessar seus movimentos e questionamentos, afinal, aprende-se também com os desconfortos do crescimento.
Por que não ajudamos as crianças a sentirem o que sentem? Por que queremos evitar que gostem menos daquilo que achamos que se deve gostar? Por que não deixamos que esses movimentos estreitem os laços entre escola e família?
A escola tem de ser sensível e perceber quando a mudança pode contribuir para o crescimento... e cuidar de suas responsabilidades, que é ensinar, com atenção e afeto. A família tem de perceber a vitalidade dos sentimentos que se vivem enquanto se está a crescer, a aprender! Se o seu filho ou a sua filha não está no lugar que você queria que estivesse, pense que é uma oportunidade para repensar a relação com ele e com ela. É uma oportunidade de nos refazermos, pensarmos sobre as nossas expectativas em relação ao crescimento. Desinteressar-se por isso, sofrer com aquilo fazem parte de estar na escola, fazem parte da vida. Confiar na escola deveria ir além das nomenclaturas pedagógicas, das notas e rankings. Confiar na escola deveria estar ligado muito mais aos cuidados com os singulares afetos, com a afirmação de que somos únicos naquilo que sentimos. Quero é chamar pais e mães, professores e coordenadores, diretores e afins a trabalharem juntos por cada um... e se entregarem às transformações pessoais ensinadas pelas crianças.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

QUEREMOS FÉRIAS!

Por Marcelo Cunha Bueno
Quem não se lembra daquela sensação de entrar de férias depois de um ano escolar? Quem não se lembra da sensação do primeiro dia de férias? Lembro-me de que sonhava que tinha aula, sonhava que as professoras brigavam comigo... e acordava feliz, aliviado por estar de férias.
Bem, a vida de hoje quase não nos permite entrar de férias. Trabalho, rotinas, compromissos inadiáveis. Com as crianças, é a mesma coisa. Algumas delas têm mais atividades do que os adultos.
E há crianças que, quando entram de férias, têm mais atividade do que tinham no decorrer do ano!
Férias é interrupção! Um espaço e um tempo fundamentais para assentarmos algumas questões. Interromper para repensar sobre as nossas conquistas, avaliar caminhos, acomodar ideias.
Gosto muito da ideia de acomodação. Não essa acomodação sem crítica, que paralisa. Acomodação como ferramenta importante de nosso pensamento, que precisa de tempo e espaço para atribuirem sentido ao que foi aprendido. É aquele tempinho que precisamos para pensar sobre.
Vejo as crianças da escola na volta das férias. É impressionante como retornam “mais crescidas”. É porque tiveram tempo para acomodar o aprendido, deram sentido a cada coisa nova, a cada conquista. Significaram as suas frustrações, encontrando, de forma mais consciente, caminhos para resolverem as suas pendências. A rotina nos empurra para as relações mais automatizadas. As férias interrompem essa rotina e nos conectam ao mundo, aos lugares, às pessoas, às simplicidades.
Crianças precisam desse tempo, desse espaço. Precisam da oportunidade para viverem suas vidas descoladas dos espaços escolares, das pressões rotineiras.
Crianças, nas férias, precisam brincar com todos os brinquedos no quarto, precisam fazer de conta a toda hora, precisam ficar com os amigos, assistir a um filme, ficar olhando as nuvens, comer fora de hora, tomar banho de sol, de piscina, suar bastante... e ficar com a família. Férias fazem isso. Férias aproximam cidades, culturas. Férias são a estrada para visitarmos um parente distante, para conhecermos lugares em que nunca estivemos. Nas férias, os pensamentos fluem, sonham, sentem o presente. Fazem a gente ver com mais atenção o pôr-do-sol, as estrelas do céu, faz escutarmos as ondas, os pássaros.
Às vezes, as famílias da escola me perguntam se não vou dar lições nas férias. Aprendemos tanto quando estamos longe da escola! Aprendemos nas coisas mais cotidianas. Aprendemos nas pequenas relações, nas novas amizades, nos lugares novos, nos antigos também. Aprendemos porque nos dispomos ao mundo de uma forma diferente. Intensa e só nossa. Não existe uma pessoa ao lado ensinando. Essa é a verdadeira independência! Aprender o que é sentido, o que é possível aprender.
Nessas férias de dezembro e janeiro, ajudem os seus filhos e filhas a interromperem as suas rotinas. Ajudem-nos a acomodarem as suas conquistas interrompendo as suas rotinas. Ofereçam espaços de brincar, sol, piscina, praia, campo, cidade com cultura, amigos do condomínio, primos, passeios, céu, vento no rosto, abraços, carinhos... Ofereçam-se aos seus filhos e filhas... e boas férias!