quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

UM ESTILO

MARCELO CUNHA BUENO
Poderia começar dizendo que a Estilo pode ser um sonho. Um sonho que nunca existiu, que foi sonhado na medida em que era vivido. Um sonho que se sonha junto... de professores, de crianças, de pais, de mães, de pessoas, de estudantes, de representações, de ninguém. Um sonho que adormece quando se vive, que desperta quando se pensa. Mas falar que a Estilo é um sonho é algo muito pessoal, pois é só o meu sonho narrado. A Estilo é um espaço.
Espaço, aqui e ali... deslocado dos espaços marcados de uma educação por métodos. Ao invés, uma educação que cria espaços e permite que qualquer forma possa habitá-lo. Para habitá-lo, basta freqüentá-lo. Espaço para des-encontros, des-entendimentos, des-construções... dimensões. Um espaço de múltiplas línguas. Línguas que se conversam, que se reinventam quando faladas, quando sentidas. Uma língua composta por sons, por palavras, por gestos, por ruídos, por sensações, por composições dissonantes. A Estilo pode ser uma confluência de línguas, de idiomas. Um espaço de coexistência de tudo aquilo que pode ser pensado, compartilhado.
A Estilo pode ser um bando... múltiplos, composta por singularidades reinventadas. Um bando de pessoas emocionadas, em movimento, circulando pelas infinidades. Pessoas que se abrem às incríveis possibilidades de contato, de relação. Um bando nos outros, um bando com os outros, um bando em nós! Em cada um-estilo que nos compõe.
A Estilo pode ser uma espera.... Uma espera silenciosa, que entende seu tempo, que lê o que não está escrito e o que não pode ser escrito. Uma espera pelo outro, já que estamos em bando. Uma espera que compõe nós-outros. Esperar o outro... Uma espera de algo que vai nos atravessar e nos fazer esperar mais um pouco.
A Estilo pode ser um rascunho. Que se faz figura quando se entende criação. Rascunho de traços, de rabiscos, de letras trocadas, de dimensões inabitadas, de espaços em branco, de espaços cheios... Um rascunho, como uma primeira idéia, uma primeira intenção, um primeiro desejo. Rascunho e garatuja. Um desenho repleto de sentidos, composto por qualquer forma, formas que não importam. Um desenho que se refaz sempre que habitado.
A Estilo é nada, pois não se encontra, não é, não pode ser, não se vê... sente-se, apenas. Sentimos sua presença em cada espaço com ausências de nomes, em cada pulso e ritmo dos passos dos inúmeros andarilhos que a atravessam. A Estilo vibra, faz som, produz silêncios, ecoa, inventa sons... dissonantes.
Na Estilo, habitam saberes marginais, vagabundos, periféricos. Saberes que deslizam... plasmam-se, des-formam-se. Saberes ignorantes... ignorâncias. Delírios, alucinações, sonhos, idéias, fabulações, literaturas, devaneios, surrealismos, cubismos, impressionismos.
A Estilo não é de ninguém e é de todo mundo.
A Estilo pode ser escola, mas pode não ser. A Estilo é e existe somente no presente, quando se fala dela, quando se acha que pensa nela. A Estilo não serve para nada... nem para educação, nem para a pedagogia. A Estilo escorre pelos dedos, pelas mãos... vai por terra, seca, evapora. A Estilo chuva-se. A Estilo poema-se. A Estilo musica-se. A Estilo pincela-se. A Estilo palavra-se.
A Estilo se veste de infâncias, bufona-se num devenir babélico. E, assim, os dias passam... e isso que chamamos de Estilo se entrega ao fora, ao hoje... sempre. Dá-se a conhecer a cada dia, num gesto generoso de entrega. De tanto se entregar... desfez-se.
E
X-
T

I

L

O...

Um comentário:

  1. Olá Marcelo, parabéns por tudo: pelos blogs, pela escola, pelo trabalho que realizas...

    Não sabia exatamente como entrar em contato, então usei os 'comentários'. Sou professora em Porto Alegre, em escola pública e em escola privada. Goataria de saber que músicas vocês apreciam, toca e cantam nas oficinas. Estou em busca de músicas de qualidade, menos infantilizadas e tenho certeza que aí é isso que vocês tem!

    Um abraço,
    Sariane Pecoits

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